sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A clareira e seus caminhos

Minhas ideias agora vêm sempre no chuveiro. Como um rio de novas palavras. Ou como um esconderijo onde posso ser eu mesma, despida, sem ter mais para onde me esconder, fugir. Livre de ser julgada. 
Muitos cantam, eu escrevo. "Escrevo", há. As palavras vêm. E eu faço força para não esquecê-las, perdê-las, como oportunidades que já perdi. Caminhos que não tomei. (Hoje estou particularmente melancólica, perdõe-me).
Corro entre o shampoo e o condicionador para sair e repetir o que pensei lá dentro. Desespero: nunca sai igual. E o original é sempre melhor que a próxima tentativa. Esse é mais um defeito meu: insegurança. Não parece, não é? Com todo esse meu ar arrogante. Engana-se. Esse é mais um jeito de me esconder. O que, com pesar admito, é herdado. Genética. Nesse ponto eu sou ele todinha. Você que me conhece, conhece minhas raízes, sabe do que estou falando. E, diferentemente de outras características herdadas, essa não me orgulha. Mas não posso apagá-la, apenas conviver. Corrigir. Concluída tal observação, volto a escrever.
Existem mesmo o caminho certo e o caminho fácil? Apenas esses dois? E se eu for feliz pelo caminho fácil, é errado? Minha melhor amiga me disse que não. E que os caminhos não são apenas dois. E eu gosto de acreditar na palavra dela, minha concha colorida que eu achei na praia. 
Tudo aqui é pensado e friamente calculado. Até minhas linhas e tortos parágrafos. Imprecisos, perfeitamente desajeitados. Havia me esquecido de como gosto de ser diferente. 
Decidi, então, que não vou me arrepender daquilo que já foi. Não vou me questionar a respeito da minha capacidade (ou não) de ter realizado aquilo que nunca tentei. Tomei meu caminho baseado no que meu coração me disse ali na hora, na clareira que eu me encontrava na floresta. Não tinha um mapa para ver de cima, nem era como o Google Street View, então não sei como vai terminar. Será mesmo que os dois caminhos não chegam juntos no final? Não se cruzam novamente, onde eu posso optar por trocar? O importante é me lembrar de que se eu quiser voltar, tudo bem. Já disse, e repito: não estou com pressa. E nem ninguém precisa ter. 
Tome sua coragem e tome seu caminho. Inevitavelmente barreiras surgirão, em qualquer um deles. E aí é numa dessas paradas da vida que acho que me encontro, mas já vou voltar. Vem aí mais um ano, mais uns metros para caminhar. Contudo, dessa vez já me armei. Minha mochila está mais cheia do que nunca: de amores, livros, memórias e pessoas. E meu coração tão confiante quanto se possa estar. Respiro fundo e vou. Para onde? Isso eu conto depois. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Recomeço

Não existe fórmula para escrever. Dependemos exclusivamente de combinar ideias e sentimentos e deixar o coração falar. Sem padrões, pois a singularidade é o que nos torna inesquecíveis. 
O que temos em comum é essa paixão avassaladora pelas palavras; elas que nos dominam, traduzem, revelam, condenam. Ah! E a inspiração, que pode surgir das situações mais inesperadas. Um pôr-do-sol, uma água de coco, uma tarde à beira mar... Sorrisos que eu não posso, nem quero esconder. 
Acima de tudo, escrever é minha forma de preservar o mundo como o vejo, eternizar minhas memórias - criptografadas, obviamente, aos olhos daqueles que não me conhecem tão bem, mas cristalinas ao meu público-alvo. 
Hoje, enquanto a água do chuveiro caía no meu rosto, senti a criatividade voltar, como se tivesse vindo encanada. De levinho, entre o shampoo e o condicionador, as letras flutuaram na minha frente e formaram um recomeço, que eu carinhosamente apelidei com o seu nome. 
Sem pressa, vamos escrevendo a vida. Não num computador, e sim à máquina, de maneira antiga. Aproveitando cada borrão acidental de tinta e adicionando mais folhas à medida que precisemos delas.