segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Atravessando a rua

Tem gente que passa basicamente o Ensino Médio todo imaginando esse dia. O dia de hoje. De pisar pela primeira vez numa faculdade.
Eu vou mais além. Talvez eu tenha passado mais do que o Ensino Médio com a cabeça no Superior. Desde os meus 11, 12 anos gosto de escrever. Amo ler desde que aprendi! Aos 4 anos, se não estou enganada.
Talvez, tenha sido criada pra isso. Ou talvez não, talvez não “criada pra isso”. Só criada para fazer o que tivesse vontade de fazer, o que fosse fazer com amor.
Mas eles, as pessoas que mais amo e admiro no mundo, não poderiam despertar em mim outro desejo que não este. O desejo de me aventurar num mundo absurdamente imenso e desconhecido. Sempre atualizado. Sempre recheado de curiosidades, descobertas.
Então, sim. Talvez tenha sido criada pra isso.
Apesar deles vigorosamente negarem o fato. Acredito, sim. Meu pai, até um tempo atrás, caía figurativamente de joelhos para que eu fizesse Engenharia. “É o que está dando dinheiro, minha filha. O futuro é muito promissor aqui na nossa região. Jornalista morre de fome. Tem um jornalista desempregado a cada esquina!”
“Você não está desempregado, pai. E nem a mamãe. É isso que quero fazer e ponto.”
Minha mãe já era mais sutil. Não me pedia para fazer um curso em particular, ou opunha-se ao me desejo de segui-la em sua formação. No entanto, deixava claro sua preocupação de não saber se eu escolhia isso porque amava, ou porque via como única opção.
E ao passar do tempo eu lhe disse, com cada vez mais convicção de que era por mim que eu escolhia essa vida. Não por eles. Só me mostraram o quão apaixonante ela é. E eu não hesitei.
Agora, meu pai viu que não tem mais jeito. Fui assinalando uma por uma das inscrições de vestibular: Jornalismo, Jornalismo, Comunicação Social. Ele só ri, levantando levemente o cantinho dos lábios enquanto mil coisas passam pela cabeça. Não me pergunte quais.
Sei que se orgulha de mim. E orgulha-se de si próprio também. Seu jeito sério e durão não me convence quando reclama tanto da vida que leva, dos meios que frequenta. No fundo, no fundo, fica feliz de ter me mostrado o quão atraente pode ser uma vida dedicada à informação.
Mãe, pai. Agora é o meu momento. Momento de finalmente descobrir se suas preocupações estavam corretas. Se este é ou não o meu lugar.
Obrigada por segurarem minhas mãos até aqui, preocuparem-se com o dinheiro, o lanche, o RG, o casaco... Por favor, não estou pedindo que se afastem enquanto eu atravesso a rua. Mas observem de longe se eu sei fazer direito. Acho que nesses 17 anos de mãos dadas, pude ver bem como se faz. Agora deixem-me tentar.
Talvez “exagero” seja meu secreto nome do meio, e talvez as coisas nem sejam tão radicais assim. Muita gente diz que faculdade não é tão diferente da escola. Não sei dizer. Nunca estive lá.

Só sei que estou com uma vontade fervorosa de experimentar. E finalmente ter minhas próprias experiências pra contar. 


sábado, 11 de janeiro de 2014

Escrever, escrever. Nunca sei o que. Não é facil decidir palavras para pôr no papel. Cada uma vem com um peso, todo o histórico de inúmeros significados que pode conter; coisas, que através delas, podem ser entendidas sem a gente ao menos dizer. Que engraçadas são as palavras. Que bom tê-las, palavras! As mais variadas palavras.
Ainda não sei o que fazer com as minhas palavras, guardo-as todinhas dentro do coração. E vou liberando aos poucos, à medida que as necessito. Evidente que elas sempre voltam pra mim. E trazem consigo mais uma infinidade de amigas para eu combinar, variar, conhecer.
Tudo que sei e que sou acorda com as palavras que tenho e as palavras que uso. As palavras que vivo e as palavras que digo. Mas, principalmente, as palavras que leio.
Ah, palavras... Se eu pudesse dominá-las todas, todas do mundo!
Eu seria então a mais feliz das palavreadoras.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Medo, coragem e borboletas

Desculpem-me. Mas, não há no mundo alguém insensível a medo. Do mais digno ao mais insano: todo mundo tem um. Há, no entanto, em cada um de nós, um dos sentimentos mais nobres de todos: a coragem.
Coragem, independentemente do que muitos pensam, não é a ausência do medo. E sim o julgamento de que algo é mais importante que o medo.
Foi ela, a coragem, que eu escolhi para exercer em Dois Mil e Catorze.
Viver, me entregar, errar, sorrir, chorar. Com coragem. Sem arrependimento. Sem replays. Só eu e as borboletas. Soltas por aí.