Tem gente que passa basicamente o
Ensino Médio todo imaginando esse dia. O dia de hoje. De pisar pela primeira
vez numa faculdade.
Eu vou mais além. Talvez eu tenha
passado mais do que o Ensino Médio com a cabeça no Superior. Desde os meus 11,
12 anos gosto de escrever. Amo ler desde que aprendi! Aos 4 anos, se não estou
enganada.
Talvez, tenha sido criada pra isso.
Ou talvez não, talvez não “criada pra isso”. Só criada para fazer o que tivesse
vontade de fazer, o que fosse fazer com amor.
Mas eles, as pessoas que mais amo e
admiro no mundo, não poderiam despertar em mim outro desejo que não este. O
desejo de me aventurar num mundo absurdamente imenso e desconhecido. Sempre
atualizado. Sempre recheado de curiosidades, descobertas.
Então, sim. Talvez tenha sido criada
pra isso.
Apesar deles vigorosamente negarem o
fato. Acredito, sim. Meu pai, até um tempo atrás, caía figurativamente de
joelhos para que eu fizesse Engenharia. “É o que está dando dinheiro, minha
filha. O futuro é muito promissor aqui na nossa região. Jornalista morre de
fome. Tem um jornalista desempregado a cada esquina!”
“Você não está desempregado, pai. E
nem a mamãe. É isso que quero fazer e ponto.”
Minha mãe já era mais sutil. Não me
pedia para fazer um curso em particular, ou opunha-se ao me desejo de segui-la
em sua formação. No entanto, deixava claro sua preocupação de não saber se eu
escolhia isso porque amava, ou porque via como única opção.
E ao passar do tempo eu lhe disse,
com cada vez mais convicção de que era por mim que eu escolhia essa vida. Não
por eles. Só me mostraram o quão apaixonante ela é. E eu não hesitei.
Agora, meu pai viu que não tem mais
jeito. Fui assinalando uma por uma das inscrições de vestibular: Jornalismo,
Jornalismo, Comunicação Social. Ele só ri, levantando levemente o cantinho dos
lábios enquanto mil coisas passam pela cabeça. Não me pergunte quais.
Sei que se orgulha de mim. E orgulha-se
de si próprio também. Seu jeito sério e durão não me convence quando reclama
tanto da vida que leva, dos meios que frequenta. No fundo, no fundo, fica feliz
de ter me mostrado o quão atraente pode ser uma vida dedicada à informação.
Mãe, pai. Agora é o meu momento.
Momento de finalmente descobrir se suas preocupações estavam corretas. Se este
é ou não o meu lugar.
Obrigada por segurarem minhas mãos
até aqui, preocuparem-se com o dinheiro, o lanche, o RG, o casaco... Por favor,
não estou pedindo que se afastem enquanto eu atravesso a rua. Mas observem de
longe se eu sei fazer direito. Acho que nesses 17 anos de mãos dadas, pude ver
bem como se faz. Agora deixem-me tentar.
Talvez “exagero” seja meu secreto
nome do meio, e talvez as coisas nem sejam tão radicais assim. Muita gente diz
que faculdade não é tão diferente da escola. Não sei dizer. Nunca estive lá.
Só sei que estou com uma vontade
fervorosa de experimentar. E finalmente ter minhas próprias experiências pra
contar.