Hoje as palavras me atingiram antes mesmo do chuveiro. Estão ganhando força novamente. Mérito de quem? Meu? Delas? Talvez seja dele, minha inspiração.
Fiquei mais uma vez - e, talvez, a mais forte de todas - entre a razão e a emoção. Minha cabeça me mandando ir e [o dono do] meu coração me olhando nos olhos e pedindo pra ficar. Não foi fácil. Entrei ali me sentindo uma estranha, estrangeira, num lugar que em menos de um mês já me senti em casa, achando que era tudo meu. Tinha na cabeça um mapa de lugares, um álbum de rostos. E agora só de pensar em ter de fazer tudo isso novamente... outro lugar, outras pessoas. Escolher recomeçar. Optar por não te ver todos os dias. Haja força de vontade.
Mas se tem uma coisa que eu me obrigo mesmo a ser é racional. Fria. Calculista. Porque todas as vezes que fui pela emoção, escorreguei na casca de banana, caí pra trás e fiquei pensando "como foi que o mundo todo girou assim e eu não estou entendendo mais nada?". Então, dessa vez, não. Essa decisão é muito maior que qualquer outra. Minha carreira - que ainda nem existe - é o que está em jogo. E eu sei que nosso amor será muito maior e mais forte que esse tipo de "separação". Não é conosco que me preocupo. É com o meu futuro.
Sinto que nem era pra eu ter estado ali, ano passado. Meu lugar nunca foi aquele, entende? Não. Eu sei. Nem eu entendo direito. No entanto, ao analisar meus planos, o que vivi ali naquele semestre não deveria ter acontecido. Era totalmente fora de mão. Foi extremamente afobado. Tentando contornar a ideia [cabecinha, diga-se de passagem], de que era obrigação minha concluir a escola e ingressar numa faculdade. Graças a Deus - e ao meu intercâmbio! - que mudei essas ideias. Agora me sinto mais livre; mais madura. Mais capaz de ver que podemos sim errar e tentar duas vezes (três, quatro...) até encontrarmos nosso lugar.
E talvez, só talvez, quem decidiu mesmo que eu deveria ter feito esses loucos e precoces seis meses de faculdade, não tenha sido eu, ou ninguém. Talvez tenha sido algo maior. Destino, por exemplo. E eu agradeço a ele todos os dias. Por que de que outra maneira ele teria me levado até você?